Se for para começar 2026 com um livro, que seja A Amiga Genial de Elena Ferrante

A Amiga Genial é o primeiro volume da Tetralogia Napolitana, escrita por Elena Ferrante, autora (ou autor) que permanece anônima e deixa que sua obra fale por si. A história acompanha Lina e Lenu, duas amigas que crescem em um bairro pobre de Nápoles. O livro começa com um acontecimento no futuro e, a partir dele, Lenu decide revisitar toda a trajetória das duas desde a infância.

Confesso que não gosto de ler a sinopse de nenhum livro que eu leio. Acho que perde um pouco da magia e crio uma expectativa que pode estragar minha leitura. Sempre vou por indicação ou feeling mesmo, e esse é um dos livros perfeitos para você fazer isso.

A história, no começo, pode ser lenta e há muitos personagens, mas não demora para ficar extremamente envolvente na narrativa. 

O romance se passa no pós-Segunda Guerra Mundial, em um contexto político e social intenso, e é impossível não perceber como esse cenário molda o cotidiano das personagens e marca uma Nápoles ainda ferida pelas consequências da guerra. Essa é uma característica importante e que molda os personagens ao decorrer da série.

Um dos aspectos mais impactantes do livro é a forma como Ferrante retrata a complexidade das relações femininas. Seja na amizade entre Lina e Lenu ou com as mães e irmãs, o livro trata de modo muito real e brutalmente honesto todos os sentimentos que são reprimidos em relação às nossas amizades. Competitividade, inveja, admiração e insegurança coexistem na amizade delas e na de qualquer outra real.

A Amiga Genial despertou em mim uma vontade de desenvolver o autoconhecimento. Através do que as personagens passavam, eu conseguia compreender meus sentimentos mais reprimidos. Mesmo vivendo em épocas tão diferentes, ler esse livro nos seus 20 e poucos anos é uma experiência única e universal. Elena Ferrante tem uma capacidade de transmitir todos os sentimentos para a realidade, e eu tenho a sensação de que conheço todo o caminho que elas percorrem no livro, porque a autora tem uma capacidade de escrita que te faz imaginar cada pedacinho da história, e acho que isso é uma das qualidades que mais admiro nos livros. Em uma geração que muitas vezes tem dificuldade de exercitar a imaginação, esse tipo de narrativa quebra paradigmas.

Espero que você também se deixe levar pela história de Lina e Lenu e que, em algum momento, se veja correndo pelas ruas de Nápoles e vendo o mar pela primeira vez junto com elas.